THORAX (2019)

  • Experimental Competition, Experimental, Avant-Garde
  • 8min

Uma das coisas que aprendemos em crianças, nem que seja através do próprio erro, é a não olhar diretamente para objetos luminosos, como o sol ou uma lâmpada incandescente, sob o risco de danificarmos a nossa visão. No entanto, isso não impede que a curiosidade leve a que ocasionalmente desviemos o olhar para esses objetos, ficando com uma imagem marcada na retina durante alguns momentos. “Thorax”, inspirado em parte pelo filme dadaísta e experimental de Marcel Duchamp, “Anémic Cinéma” (1926), parece desafiar essa proibição ao convidar-nos a olhar diretamente para uma imagem incandescente, para uma espécie de mecanismo que, através de variações de luzes e sons desorientadores, desafia os nossos sentidos, numa cedência completa ao abstrato. As imagens cintilantes que se sucedem, que o nosso consciente tenta traduzir, são acompanhadas pelo reflexo criado pelo nosso olhar, pelas sombras e imagens fantasmas deixados no rasto inconsciente do que observamos, perante uma torrente luminosa. Este é o regresso ao Curtas de Siegfried A. Fruhauf, realizador austríaco presente já em diversas edições do festival. (JA)

One of the things we learn as children, even if by simply making that mistake, is not to look directly at bright objects, such as the sun or an incandescent lamp, at the risk of damaging our eyesight. However, that does not prevent curiosity from making us occasionally divert our eyes toward these objects, leaving an image marked on the retina for a few moments. Partly inspired by Marcel Duchamp’s experimental Dadaist film “Anémic Cinéma” (1926), “Thorax” seems to defy this restraint by inviting us to stare directly at an incandescent image, at a sort of mechanism that, through variations of disorienting lights and sounds, defies our senses, towards a complete surrender to abstraction. The sequence of shimmering images, which our conscience tries to construe, is immediately followed by the reflection created by our eyes, by the shadows and ghost images left in the unconscious trail of what we see before this light stream. This is the return to Curtas of Austrian filmmaker Siegfried A. Fruhauf, who has become a regular presence at the festival over the years. (JA)

Language

No Dialogues