THE SILENCE (O SILÊNCIO) (2016)

  • Fiction
  • 15min

“The Silence”, de Farnoosh Samadi e Ali Asgari, coloca em evidência a problemática da identidade e da sua busca constante, em que o sentimento de pertença (ou de ausência) afectiva e territorial surge em grande plano. Fatima, uma refugiada curda parte para Itália com a sua mãe, entretanto, adoecida. Aí, em território estrangeiro, numa consulta no hospital, confronta-se com a inevitabilidade do seu próprio silêncio (e do seu próprio silenciamento). O que se passa é simples de contar, mas a verbalização do diagnóstico é impossível para a rapariga. Como dizer à mãe que o seu estado de saúde é gravíssimo? A forma como o filme se desenrola flui a dois tempos, um pouco como a presença da rapariga em solo estrangeiro, entre duas línguas e entre a salvação e a condenação da mãe. São frequentes as cenas em que apenas lemos, nas legendas, os diálogos que identificamos nos lábios. Mas ocorrem também silenciamentos de vozes quando os ruídos dos objectos e dos corpos nos planos se evidenciam. Silêncio e ruído, incompreensão da língua e presença dos corpos. Esta é a receita de Ali Asgari, naquela que é uma alusão não ocasional ao cinema do também iraniano Asghar Farhadi, pois mais do que afinidades geográficas e culturais, encontram-se sobretudo ressonâncias estéticas: a centralidade da feminilidade e da figura feminina ou, por exemplo, e mais concretamente, a exiguidade do espaço do consultório, em “The Silence”, que se assemelha à exiguidade (também metafórica) da sala do tribunal em “A Separation” (2011), como método de densificação. Entre calar e dizer há todo o mundo de possibilidades, mas todas elas parecem ser insatisfatórias. (LL)

“The Silence”, by Farnoosh Samadi and Ali Asgari, highlights the problem of identity and its constant search, in which the feeling of belonging (or absence), both affective and territorial, looms large. Fatima, a Kurdish refugee, leaves for Italy with her mother, who is ill. There, in foreign territory, during a hospital consultation, she is confronted with the inevitability of her own silence (and of her own silencing). What is happening is simple to tell, but the verbalization of the diagnosis is impossible for the girl. How to tell her mother that her state of health is extremely serious? The way the film unfolds flows in two stages, a bit like the presence of the girl on foreign soil, between two languages and between the salvation and condemnation of the mother. There are frequent scenes in which we only read, in the subtitles, the dialogues that we identify on the lips. But there are also silences of voices when the noises of objects and bodies in the plans become evident. Silence and noise, incomprehension of language and presence of bodies. This is Ali Asgari’s recipe, in what is not an occasional allusion to the cinema of the also Iranian Asghar Farhadi, because, more than geographical and cultural affinities, we find above all aesthetic resonances: the centrality of femininity and of the female figure or, for example, and more specifically, the exiguity of the space of the doctor’s office, in “The Silence”, which resembles the (also metaphorical) exiguity of the courtroom in “A Separation” (2011), as a method of densification. Between being silent and saying, there is a whole world of possibilities, but they all seem to be unsatisfactory. (LL)

Languages

Italian, English, Kurdish

Subtitles

English, Portuguese

Countries

Italy, France

Studios

Kino produzioni, FILMO