THE MASSACRE OF ANROECHTE (O MASSACRE DE ANROETCHE) (2021)

  • Fiction
  • 60min

Nada de especial acontece na tranquila, pacífica e triste cidade alemã de Anröchte. Até ao dia em que o quotidiano dos seus habitantes é sobressaltado por estranhos eventos: cavaleiros hunos armados com sabres perpetram um massacre de forma arbitrária e sem qualquer razão aparente, decapitando pessoas ao acaso. O inspetor Konka chega à cidade para resolver o mistério, acompanhado pelo seu fiel assistente Walter, espécie de filósofo que reflete sobre a condição humana enquanto vagueia pelas melancólicas ruas de Anröchte. Instalam-se num quarto de hotel que parece saído da década de 1970, tal como tudo na cidade, desde a feira de diversões até aos painéis publicitários e ao papel de parede descolorado, cortesia da excelente fotografia de Jesse Mazuch. Enquanto isso, o presidente da câmara nega o ataque para não prejudicar o turismo (mas que turismo há em Anröchte?). Humor negro e melancolia urbana, entre o retrato de uma pequena cidade alemã e a celebração do absurdo, num universo tragicómico que vai pouco a pouco revelando o seu lado mais escuro e subterrâneo (em sentido literal, como na cena em que Walter, numa das suas nostálgicas digressões urbanas, desce ao sistema de esgotos da cidade e encontra crianças com grandes orelhas alienadas com jogos de vídeo). Numa cena que poderia ter saído de um qualquer episódio dos Monty Python, o mistério parece ficar resolvido, mas as interrogações do assistente filósofo Walter continuam sem resposta: “De onde vem todo este ódio? Porque não podemos viver em paz?” (MD)

Nothing special happens in the quiet, peaceful, and sad German city of Anröchte. Until the day in which its residents’ daily lives are disrupted by strange events: Hun knights armed with sabers perpetrate an arbitrary massacre for no apparent reason, decapitating people at random. Inspector Konka arrives in town to solve the mistery, along with his faithful assistant Walter, a philosopher type who reflects on the human condition as he wanders the melancholic streets of Anröchte. They settle in a hotel room that looks like something out of the 1970s, just like everything else in the city, from the fun fair to the billboards and faded wallpapers, courtesy of Jesse Mazuch’s excellent cinematography. Meanwhile, the mayor denies the attack so as not to harm tourism (but what kind of tourism is there in Anröchte?). Dark humor and urban melancholy, somewhere between the portrait of a small German town and a celebration of the absurd, in a tragicomic universe that gradually reveals its darker and more subterranean side (literally, as in the scene in which Walter, in one of his nostalgic urban excursions, goes down to the city’s sewer system and finds kids with big ears alienated by videogames). In a scene that could be out of any “Monty Python” episode, the mystery seems to be solved, but assistant-philosopher Walter’s questions remain unanswered: “Where does all this hatred come from? Why can’t we just live in peace?” (MD)

Language

German

Subtitles

English, Portuguese

Country

Germany

Studio

öFilm

Bonus Content

Entrevista - Hannah Dörr (João Araújo)