PILGRIMS (PEREGRINOS) (2020)

  • Fiction
  • 16min

Dois irmãos, que adivinhamos terem idades entre os 4 e os 7 anos, tratam da sua rotina matinal, antes da hora de irem para a escola. Reconhecemos-lhes uma certa autonomia e maturidade, mas também a ingenuidade característica destas idades, ambos factores importantes para a credibilidade do enredo. O que se segue é simples: os irmãos estão cansados de viver com o pai e partem para Istambul à procura da sua mãe, desafiando assim as ordens paternas. Os argumentos podem ser resumidos em poucas palavras porque Asgari e Samadi exploram sobretudo a dramaturgia dos corpos e o dramatismo dos diálogos, numa câmara que se rende permanentemente ao rosto, humano por excelência. Todavia, este caminho dos dois peregrinos – que, tal como todos os peregrinos, rumam a um lugar onde o que os espera é apenas a meta parcial de um caminho – é acima de tudo um movimento simbólico. Apesar de não ser um filme dramático – seria fácil perder a sobriedade ao apresentar esta história – os momentos selecionados pelos realizadores para nos darem a ver a aflição da banalidade são de uma eloquência extrema: pedofilia, assalto, mentira, roubo, castigo, fome… tudo espreita, tudo se adivinha, mas quase nada acontece. Ou será que sim? (LL)

Two brothers, who we guess are between 4 and 7 years old, deal with their morning routine before school. We recognize a certain autonomy and maturity, but also the naivety characteristic of these ages, both important factors for the credibility of the plot. What follows is simple: the brothers are tired of living with their father and leave for Istanbul to look for their mother, thus defying the paternal orders. The arguments can be summed up in a few words because Asgari and Samadi explore above all the dramaturgy of the bodies and the drama of the dialogues, in a camera that permanently surrenders to the face, human “par excellence”. However, this journey of the two pilgrims – who, like all pilgrims, are on their way to a place where what awaits them is only the partial end of a path – is above all a symbolic movement. Although it is not a dramatic film – it would be easy to lose sobriety when presenting this story – the moments selected by the directors to give us a glimpse of the affliction of banality are of an extreme eloquence: pedophilia, assault, lies, theft, punishment, hunger… everything lurks, everything is guessed, but almost nothing happens. Or does it? (LL)

Language

Turkish

Subtitles

English, Portuguese

Countries

Turkey, Iran

Studio

Haurvatat Film