MAHJONG (2013)

  • Fiction
  • 35min

“O projeto ESTALEIRO funcionou como uma plataforma contínua de programação cultural entre 2010 e 2012, que teve como objetivo criar um pólo de criatividade em Vila do Conde. Durante esse período, o ESTALEIRO produziu diversos filmes, organizou workshops e exposições, e proporcionou diversos concertos na cidade. No âmbito da produção de filmes, propôs-se a vários realizadores olhares diversos sobre a região, e a dupla João Pedro Rodrigues/João Rui Guerra da Mata apropriou-se da Zona Industrial da Varziela, em Vila do Conde. Aí reside a mais significativa comunidade chinesa no norte de Portugal, oportunidade para os autores darem continuidade aos seus filmes de inspiração asiática, onde “Mahjong” ecoa, sobretudo, com “A Última Vez Que Vi Macau”. Em ambos os filmes, o olhar documental inicial vai abandonando quaisquer pretensões de um retrato realista de um espaço, dando lugar a um enredo marcado pela cultura cinéfila dos seus autores, que joga com códigos reconhecíveis de géneros cinematográficos, sobretudo o film noir e o suspense. Em “Mahjong” esses elementos aparecem filtrados por delírios hipnóticos e por uma tensão dissonante que parece querer despistar o espectador a todo o momento. O que parece ser uma investigação à maneira de um filme policial dá lugar a uma realidade paralela, onde manequins tomam o lugar de seres humanos, onde os pássaros e as flores são de plástico. Ilusões espectrais de mulheres enigmáticas e a noite naquele deserto industrial de ruas idênticas aumentam o mistério, que longas sequências ao volante de um automóvel aprofundam, fazendo por vezes lembrar “Vertigo”. A excelente banda sonora de Luís Fernandes, também ela de ecos hitchcockianos, sublinha esta busca metafísica e meta fílmica. Mais do que procurar os pontos cardeais de uma história onde, à boa maneira do film noir, os segredos por desvendar são mais relevantes que as frágeis convicções do espectador, embarcamos nesta narrativa estimulante e esteticamente deslumbrante como num jogo, juntando os elementos disponíveis como conjuntos de pedras de mahjong.” (Miguel Dias)

“The ESTALEIRO project worked as a continuous platform for cultural programming between 2010 and 2012, which aimed to create a hub of creativity in Vila do Conde. During this period, ESTALEIRO produced several films, organized workshops and exhibitions, and provided several concerts in the city. Theå film production proposed to some directors different perspectives about the region, and the duo João Pedro Rodrigues/João Rui Guerra da Mata appropriated the Industrial Area of Varziela, in Vila do Conde. This is where the most significant Chinese community in northern Portugal resides, offering an opportunity for the authors to continue their Asian-inspired films, where ““Mahjong”” echoes, above all, with ““A Última Vez Que Vi Macau”“. In both films, the initial documentary look is soon abandoning any pretensions of a realistic portrait of a space, giving way to a plot marked by the film culture of its authors, which plays with recognizable codes of film genres, especially film noir and suspense. In ““Mahjong,”” these elements appear filtered by hypnotic delusions and by a dissonant tension that seems to want to mislead the spectator all the time. What seems to be an investigation close to crime films, gives way to a parallel reality, where mannequins take the place of human beings, where birds and flowers are made of plastic. Spectral illusions of enigmatic women and the night in that industrial desert of identical streets increase the mystery, which long sequences at the wheel of a car deepen, sometimes being reminiscent of ““Vertigo”“. Luís Fernandes’ excellent soundtrack, also with Hitchcockian echoes, underlines this metaphysical and meta-filmic search. More than looking for the cardinal points of a story where, in the good tradition of film noir, the secrets to be revealed are more relevant than the fragile convictions of the spectator, we embark on this stimulating and aesthetically dazzling narrative as in a game, joining the available elements as sets of mahjong stones.” (Miguel Dias)

Language

Portuguese

Subtitles

English, French, Portuguese