FERNANDO QUE GANHOU UM PÁSSARO DO MAR (FERNANDO WHO RECEIVED A BIRD FROM THE SEA) (2013)

  • Fiction
  • 20min

Uma bela e cândida parábola sobre ideias pré-concebidas e amizades improváveis, “Fernando Que Ganhou um Pássaro do Mar”, filmado entre o Bairro das Fontainhas, no Porto, e o Rio Janeiro, conta-nos a correspondência entre dois amigos que afinal não se conhecem, que começa quando Fernando, no Porto, recebe um pássaro enviado através do oceano. Esta troca de cartas, que é na verdade um monólogo no início, revela um curioso jogo de espelhos, no sentido em que começa por revelar ideias refletidas, possibilidades do que imaginamos estar do outro lado. Estamos em 2013 e Fernando, desempregado, divide o seu tempo entre um pequeno apartamento com poucas condições e o café da esquina, enquanto se queixa, por carta, do pássaro que não parece ser grande prenda mas que até ajuda a atenuar a solidão. Fernando imagina um Brasil paradisíaco, com as suas praias de água quente, sereias e índios nos seus palácios, e é exactamente isso que vemos do outro lado, a ideia fantasiosa de um Brasil imaginado aos olhos de um português à distância. Só mais tarde essa imagem é revertida para representar o Brasil contemporâneo, onde aflui dinheiro e pobreza ao mesmo tempo, criando enormes brechas. De repente o palácio transforma-se numa casa parecida à das Fontainhas e a metáfora, dissimulada no início, torna-se evidente: com a aproximação entre os dois pontos de partida, percebemos que os dois estão afinal mais perto do que poderiam imaginar.

“A beautiful and candid parable about preconceived ideas and unlikely friendships, Fernando Que Ganhou um Pássaro do Mar”“, filmed between Bairro das Fontainhas, in Porto, and Rio Janeiro, tells us the correspondence between two uknown friends, which begins when Fernando, in Porto, receives a bird sent across the ocean. This exchange of letters, which is actually a monologue at the beginning, reveals a game of mirrors, in the sense that it begins by revealing reflected ideas, possibilities of what we imagine to be on the other side. It is 2013 and Fernando, unemployed, divides his time between a small apartment with few conditions and the café on the corner, while he complains, by letter, of the bird that does not seem to be a great gift but that helps to alleviate the loneliness. Fernando imagines a paradisiacal Brazil, with its hot water beaches, mermaids and indians in their palaces, and that is exactly what we see on the other side, the fantasy idea of a Brazil imagined in the eyes of a Portuguese at a distance. Only later is this image reversed to represent contemporary Brazil, where money and poverty flow at the same time, creating huge gaps. Suddenly the palace turns into a house similar to that of Fontainhas, and the metaphor, hidden in the beginning, becomes evident: with the approximation between the two starting points, we realize that the two are after all closer than they could imagine.”

Language

Portuguese

Subtitles

English