DISAPPEARANCE (DESAPARECIMENTO) (2017)

  • Fiction
  • 1h 39m

Numa noite fria de Inverno em Teerão moderno, um casal de jovens amantes depara-se com um problema sério, e têm apenas algumas horas para encontrar uma solução. Depois da primeira relação sexual do casal ter resultado num estado de hemorragia alarmante, em desespero, saltam de hospital em hospital em busca de ajuda, mas nenhum deles admite a jovem mulher para lhe prestar o cuidado médico de que necessita. Enquanto se esforçam por encontrar uma forma de resolver o problema, os dois amantes precisam de manter segredo sobre a situação, ocultando dos pais a nova realidade. Pelo meio, é a própria relação conjugal que fica no fio da navalha. Emaranhado entre tradições conservadoras e desejos de modernidade, o casal enfrenta, num tempo presente, um futuro incerto. Há várias hipóteses de solucionar o problema, mas nenhuma delas serve aos dois jovens que não possuem nem certidão de casamento nem consentimento dos pais da rapariga. O périplo noturno condu-los a uma saída tanto menos ortodoxa quanto legal, enquanto o tempo se esvai, como se esvai o sangue da rapariga e a esperança dos espectadores, até um mergulho final no mercado negro que põe em perigo o futuro imediato de ambas as personagens. O desenlace agonizante e quase silencioso, como tantas vezes ocorre com a recusa das palavras porte parte das personagens dos filmes de Asgari, oferece dois caminhos, ambos exíguos. Enquadrados em longos planos de câmara ao ombro – como não reviver a sensação de vertigem decorrente desta técnica nos trabalhos de Von Trier ou de Vinterberg nos filmes do manifesto DOGMA –, assistimos à ladainha dos funcionários do hospital com os seus ares de reprovação que dialogam, fora de campo, com uma moralidade mais óbvia e indiscutível. “Disappearance” é um olhar preciso, como tantos outros de Asgari, com e sem Farnoosh Samadi, sobre as cenas mais banais do quotidiano que, de tão pequenas e insignificantes, revelam estar, por falta de secularização da sociedade iraniana, sempre à beira da catástrofe. (LL)

On a cold winter’s night in modern Tehran, a couple of young lovers are faced with a serious problem and have only a few hours to find a solution. After the couple’s first sexual relation results in an alarming blood loss state, in desperation they hop from hospital to hospital in search of help, but none of them will admit the young woman to provide her with the medical care she needs. As they struggle to find a way to solve the problem, the two lovers need to keep the situation a secret, hiding their new reality from their parents. In between, it is the marital relationship itself that is on the razor’s edge. Entangled between conservative traditions and desires for modernity, the couple faces, in the present, an uncertain future. There are several hypotheses to solve the problem, but none of them suits the two young people who have neither a marriage certificate nor the consent of the girl’s parents. The nocturnal wandering leads them to a way out that is as unorthodox as it is illegal, while time runs out, as does the girl’s blood and the spectators’ hope, until a final plunge into the black market that endangers the immediate future of both characters. The agonizing and almost silent denouement, as is so often the case with the refusal of words on the part of the characters in Asgari’s films, offers two paths, both exiguous. Framed in long shots in a handy-cam style – how can we not relive the feeling of vertigo arising from this technique in the work of Von Trier or of Vinterberg in the films of the DOGMA manifesto – we watch the litany of hospital workers with their looks of disapproval that dialogue, out of frame, with a more obvious and indisputable morality. “Disappearance” is a precise look, like so many others by Asgari, with and without Farnoosh Samadi, at the most banal scenes of daily life which, so small and insignificant, reveal themselves to be, for lack of secularization in Iranian society, always on the brink of catastrophe. (LL)

Language

Persian

Subtitles

English, Portuguese

Countries

Iran, Qatar

Studio

Three Gardens Film