CARTA BRANCA (CARTE BLANCHE) (2021)

  • Documentary
  • 24min

Um filme que não é apenas aquilo que aparenta é algo que poderia ser dito como lugar-comum de muitos outros filmes. Mas, neste caso, estamos a falar de uma encomenda do município de Alcanena, no Ribatejo, uma carta-branca, supostamente conveniente à promoção da terra e da região, e a uma vila ali ao lado chamada Minde, que resulta numa obra cinematográfica bastante original, fugindo completamente ao expectável filme institucional. Na verdade, a proposta até seria aliciante, e mantida enquanto tal, se não fosse ter surgido, por mero acaso, uma personagem absolutamente irredutível: Cid Manata. Só por si, e apesar da riqueza da paisagem que adquire diferentes matizes, ora profundamente bucólica e rural, ora moldada pela obsolescência da indústria, a história de vida de Cid acrescenta um toque pós-apocalíptico à missão, como se aquela terra fosse malfadada. Por não ter vivido, de facto, o sonho da liberdade pós-revolucionário, que em nada mudou a vida das gentes da sua terra, Cid, como tantas outras pessoas que vivem afastadas dos centros urbanos, envelhece e se esvazia de sentido. Um filme cujo humor se torna contagiante e que trabalha referências várias sobre uma certa riqueza humana, que se observa na sua candura com um breve sorriso nos lábios, o que já vimos em Agnès Varda, cineasta à qual o filme é dedicado. (MM)

A film that is not just what it looks like is something of a cliché that could be said about many other films. But not this time. We are talking about a film that was commissioned by the municipality of Alcanena, in Ribatejo, in which the director was given carte blanche. Supposedly the film should serve to promote the region and a nearby town called Minde, however the result is an original cinematographic work, entirely different from the expected institutional film. In fact, the original proposal would have been attractive enough, and maintained as such, if it weren’t for the appearance, by mere chance, of an absolutely fascinating character: Cid Manata. Despite the richness of the landscape that takes on different hues, sometimes deeply bucolic and rural, sometimes shaped by the heavy presence of the industrial ruins, Cid’s life story by itself adds a post-apocalyptic touch to this account, as if that land were ill-fated. For not having lived, in fact, the dream of the post-revolutionary freedom, which did not change the lives of his fellow town’s people, Cid, as many others living far away from the city center, gets old and aimless. The film has a contagious funny twist touching upon certain traits of our human richness, the same candor, the same brief smiles, which we have already seen in Agnès Varda, the filmmaker to whom the film is dedicated. (MM)

Cast

Cid Manata

Language

Portuguese

Subtitles

English

Country

Portugal

Studio

Companhia Caótica

Bonus Content

Entrevista - António-Pedro (Paulo Cunha)