BAKI TADU É (2021)

  • Experimental
  • 13min

Tadu Baki adentra-se na selva. Surge como um caminhante que segue imperturbável o seu percurso de costas voltadas para nós - ou de rosto voltado para o caminho. É uma selva-visão, tal como não existem os interiores que completam o final do filme. Aquilo a que Kate Saragaço-Gomes nomeia de “espaço impossível”, um lugar que não é contextualizado e assim o é porque conjuga coisas que são à partida impossíveis de conjugar. E se o lugar surge fora do tempo e do espaço, também Tadu Baki está longe de poder ser nomeado: não sabemos quem é, apenas que caminha. A dada altura, um “zoom-in” e Tadu Baki gira brevemente a cabeça em direção aos seus ombros, sem que, todavia, ainda nos enfrente. É o corte com qualquer distância. Afinal, a câmara é um espectro e Tadu Baki pressente-a. Agora este é o seu tempo, e aquela a imagem perfeita daquilo que é esquecido mas, ainda assim, relembrado em jeito de sensação. E que não difere da sequência final, num espaço ainda menos cognoscível do que o anterior, que a luz revela e omite num jogo de (in)visibilidades e onde a alteração espacial magicamente se dá, sem que tenhamos acesso àquela “qualquer coisa” que a provoca. (RiM)

Tadu Baki enters the jungle. He emerges as a walker who, unflappable, follows his path with his back to us – or rather, facing his way. It is a jungle-vision, non-existent such as the interiors that complete the movie’s ending. That which Kate Saragaço-Gomes names “impossible space”, a place that is not contextualized, and it is thus because it combines things that are, from the start, impossible to combine. And if the place appears out of time and space, Tadu Baki is also far from being named: we don’t know who he is, just that he walks. At a certain point, a zoom-in, and Tadu Baki slightly turns his head towards his shoulders, without, however, facing us yet. It is a rupture with any kind of distance. After all, the camera is a specter, and Tadu Baki senses it. Now this is his time, and that is the perfect image of what has been forgotten, but still remembered as a sensation. And that is no different than the final sequence, in a space even less knowable than the previous one, revealed and concealed by the light in a game of (in)visibilities, and where the spatial change magically takes place, without us ever having access to that “something” that causes it. (RiM)

Cast

Tadu Baki

Countries

India, Denmark, Portugal

Bonus Content

Entrevista - Kate Saragaço-Gomes & Calum MacBeath Morgan (Rita Morais)